Monitoramento econômico e gerencial das principais cadeias produtivas do agronegócio brasileiro.
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil · Serviço Nacional de Aprendizagem Rural.
O conflito no Oriente Médio elevou as cotações de nitrogenados e fosfatados, piorando as relações de troca e travando a atividade comercial. Compradores adotaram postura defensiva, enquanto o KCl, menos afetado pelo Estreito de Ormuz, manteve atratividade relativa. A demanda global enfraquecida pressiona a ureia, ao passo que os fosfatados seguem firmes. Apesar de algum espaço para ajuste nos nitrogenados, a oferta reduzida limita quedas adicionais. Os fundamentos indicam que 2026 será um dos anos mais desafiadores para o mercado brasileiro, com normalização lenta mesmo após o fim do conflito.
Fechamento do Estreito de Ormuz e suspensão das exportações chinesas elevaram preços e deterioraram relações de troca.
Mercado apertado e ausência de cargas chinesas sustentam preços elevados com rigidez crescente em 2026.
KCl menos impactado pelo conflito, com melhor atratividade relativa e relações de troca mais favoráveis.
O conflito no Oriente Médio, com o fechamento do Estreito de Ormuz, reduziu a oferta de nitrogenados, efeito agravado pela suspensão das exportações de ureia chinesa. Esse cenário elevou os preços e deteriorou as relações de troca, levando a uma retração da demanda. As compras ficaram concentradas em mercados com urgência ou subsídios, como a Índia. Mais recentemente, os preços da ureia passaram a recuar, refletindo dificuldades dos vendedores em fechar negócios e sinais de destruição de demanda. Ainda assim, enquanto persistirem os entraves logísticos em Ormuz, quedas mais acentuadas tendem a ser limitadas.
Os problemas logísticos associados ao conflito reduziram a oferta em um mercado que já se mostrava apertado no início deste ano. A ausência das cargas chinesas reforça esse quadro, sustentando preços elevados. Além disso, trata-se de um segmento com resposta lenta às variações da demanda, o que tende a aumentar a rigidez de preços em 2026. Por fim, os custos elevados de amônia e enxofre pressionam a cadeia produtiva dos fosfatados, o que restringe o espaço para quedas nas cotações. Dessa forma, tornam-se maiores as chances de destruição de demanda no mercado global.
O KCl segue como o fertilizante com a melhor atratividade relativa, por ter sido menos impactado pelo conflito no Oriente Médio. Apesar da valorização observada desde o início do conflito, influenciada por fretes mais altos e incerteza, as relações de troca permanecem mais favoráveis do que em nitrogenados e fosfatados. Isso sustentou uma demanda aquecida por parte dos importadores brasileiros no início do ano, sem sinais de urgência nas compras. Sem grandes mudanças esperadas na oferta e na demanda deste setor, o quadro reduz as chances de movimentações bruscas de preço.

Fonte e Elaboração: StoneX.

Fonte e Elaboração: StoneX.
Desde o início do conflito no Oriente Médio, os termos de troca se deterioraram e atingiram os piores níveis dos últimos anos. A menor atratividade para o agricultor tem reduzido o volume de negócios, com compras pontuais e restritas às necessidades imediatas.
Em Rondonópolis, são necessárias mais de 43 sacas de soja para adquirir o formulado 02-20-20. Para o milho, cerca de 92 sacas são exigidas para a compra de uma tonelada do 10-15-15, patamares bem acima da média histórica e que dificultam a rentabilidade do produtor.
Mesmo com um eventual fim do conflito, a normalização do mercado tende a ser lenta, indicando a manutenção de relações de troca desfavoráveis nas próximas semanas. Nesse contexto, 2026 deve se consolidar como um dos anos mais desafiadores da história recente da agricultura brasileira.

Fonte: IBGE e StoneX. Elaboração: StoneX.
Se a demanda seguir enfraquecida, há espaço para recuos de preços. Porém, a guerra no Oriente Médio limita quedas acentuadas, ao reduzir a oferta global. Assim, as relações de troca devem permanecer pouco atrativas nas próximas semanas, mesmo com a resolução do conflito, já que a normalização logística levará tempo. Há, contudo, risco de que uma nova licitação na Índia volte a fortalecer os preços.
No 2º semestre, as importações de nitrogenados do Brasil costumam ganhar tração a partir de julho, quando as aquisições voltadas à primeira safra de milho e à safrinha do ano seguinte ganham força até dezembro.
O mercado de fosfatados segue em situação crítica, com menores chances de quedas acentuadas no curtíssimo prazo, o que tende a provocar algum grau de destruição de demanda. Diante disso, os consumidores terão de optar entre aceitar preços elevados, reduzir aplicações ou operar com margens mais comprimidas. Os fundamentos do segmento apontam para um quadro pouco promissor para os compradores nas próximas semanas.
Durante o 2º semestre, as importações brasileiras de fosfatados permanecem firmes até agosto e, a partir de setembro, a demanda do país perde força de maneira gradual até o final do ano.
O KCl deve manter o melhor custo-benefício entre os fertilizantes, por ser menos impactado pela guerra no Oriente Médio. Nas próximas semanas, compras do Brasil e da Índia podem sustentar leves altas nas cotações e, até o início da safra de verão brasileira, os preços do potássio podem se mostrar mais firmes. Sem problemas de oferta, contudo, movimentos bruscos de preços são improváveis.
De forma similar aos fosfatados, a demanda por importações de KCl no Brasil costuma se manter firme até agosto; a partir de setembro, o início da safra de verão marca uma redução gradual do interesse comprador.

Fonte e Elaboração: StoneX.
Para necessidades até o final do primeiro semestre de 2026, recomenda-se adquirir apenas o volume necessário para o curto prazo. Caso haja flexibilidade, orienta-se postergar compras, uma vez que os preços tendem a recuar e as relações de troca permanecem desfavoráveis. Considerando a trajetória de queda dos preços e os sinais de fraqueza do mercado, é recomendável aguardar uma melhor janela de compra para atender necessidades de uso no segundo semestre do ano.
Diante de um cenário de oferta restrita, o principal fator de decisão deixa de ser o preço e possíveis gargalos logísticos, passando a ser a garantia de abastecimento. Assim, recomenda-se garantir ao menos parte do volume necessário. Sempre que viável, recomenda-se considerar eventuais ajustes de aplicação, desde que não comprometam o potencial produtivo.
O mercado segue estável, com o KCl CFR Brasil na faixa de US$ 400–405/t. O potencial de novas altas é limitado, assim como a probabilidade de quedas relevantes antes do 4º trimestre de 2026. Nesse contexto, a recomendação é avançar com as compras, uma vez que a janela de aquisição permanece adequada.
Reprodução permitida desde que citada a fonte: Projeto Campo Futuro – CNA/Senar. Elaboração: StoneX.